Exposição Paraíba Agronegócio debate importância, obrigatoriedade, e desafios da rastreabilidade dos rebanhos

O 1º Encontro de Rastreabilidade Bovina, evento realizado durante a programação da Exposição Paraíba Agronegócio, que acontece no Parque de Exposição Henrique Vieira de Melo, em João Pessoa, debateu a a importância, a obrigatoriedade e os desafios para rastrear os rebanhos bovinos e de búfalos em todo o país. O prazo estipulado pelo Governo Federal, através do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), para que todos os animais recebam o monitoramento eletrônico através da implantação de brincos, a chamada “brincagem”, será de janeiro de 2027 até dezembro de 2033.

Acompanhe a conversa com Girlene Alencar – gerente executiva da defesa agropecuária da PB:

A Paraíba possui, atualmente, um rebanho registrado formado por 1,7 milhão de bovinos. O evento, promovido pela Secretaria de Estado do Desenvolvimento da Agropecuária e da Pesca (Sedap-PB), através da Defesa Agropecuária da Paraíba, reuniu autoridades, criadores, associações e profissionais que atuam na pecuária.

O secretário da Sedap-PB, Júnior Nóbrega,  destacou que a Paraíba  inicia os debates sobre o rastreio bovino com a realização do evento. “A rastreabilidade bovina vem para dotar as autoridades de um banco de dados atualizado sobre os rebanhos e tem a grande importância para os produtores por possibilitar respostas mais eficientes diante de ameaças à sanidade animal, além de garantir a abertura de novos mercados”, ressaltou o gestor.

A gerente executiva da Defesa Agropecuária, Girlene Alencar, abriu a programação do 1º Encontro de Rastreabilidade Bovina. Na ocasião, ela explicou que a obrigatoriedade da rastreabilidade ocorre por fatores como a necessidade de se criar um banco de dados confiável sobre as criações no país, que antes era alimentado pelos dados relativos à vacinação contra a febre aftosa. Como a aplicação da vacina deixou de ser obrigatória após o Brasil conquistar o reconhecimento de área livre de aftosa sem vacinação,, foi elaborada a rastreabilidade eletrônica individual dos rebanhos.

Girlene Alencar pontuou que o objetivo do 1º Encontro de Rastreabilidade Bovina foi justamente reunir os múltiplos atores, públicos e privados, visando trocar experiências, buscar entendimento e esclarecer dúvidas sobre o programa nacional de rastreabilidade bovina.

Sobre o processo de rastreabilidade bovina na Paraíba, Girlene Alencar comentou que o estado está em processo de implantação do sistema. “Cada vez mais há a necessidade da interação entre os diversos setores, o público, o privado, os serviços, às empresas, para que a gente consiga ter êxito na implantação no sistema de rastreabilidade, que é tão importante e envolve uma demanda tecnológica muita alta e essa parceria entre governo, empresa, é imprescindível para que a gente obtenha sucesso”, avaliou.

O representante do MAPA no evento, o auditor fiscal da Pecuária da Coordenação da Rastreabilidade Bovina, Caio Cardoso, explicou durante sua palestra todo o processo de elaboração do formato de rastreabilidade dos rebanhos bovinos e de bubalinos (búfalos) do país. Ele pontuou sobre os prazos e enfatizou que a ideia é envolver toda a cadeia produtiva no processo de implementação de identificação individual dos animais.

Caio Cardoso acrescentou que “a rastreabilidade é importante para o produtor, porque terá como saber toda história do animal, para os órgãos de defesa sanitária porque terá informações que permitirão agir com maior agilidade em casos de ameaças à sanidade animal”. Ele acrescenta que a “brincagem” dos animais também é fundamental para o consumidor, que passará a poder identificar a origem do animal e ter a certeza que estará consumindo um produto com segurança. “O nosso foco principal é a questão sanitária”, completa.

Um dos estados que iniciou o processo de rastreabilidade dos rebanhos foi o Pará, que possui o segundo maior rebanho de bovinos do país, com 26 milhões de cabeças de gado, com 135 mil produtores cadastrados. A médica veterinária da Defesa Agropecuária do Pará, Bárbara Amanda Bezerra, palestrou sobre a experiência do seu estado no rastreio dos animais por meio da “brincagem”.

No caso paraense, o trabalho começou em 2024 e os desafios são muitos. O tamanho do rebanho, a extensão territorial e as características geográficas. Bárbara Bezerra lembrou que o plano desenvolvido no estado permitiu que fossem rastreadas uma média de 15 mil cabeças de gado por semana e o prazo inicial era ter todo o rebanho “brincado”. O ano de 2025 terminou com mais de 420 mil animais rastreados. O trabalho continua e a meta paraense é atingir a total rastreabilidade do rebanho até 2030.

Uma particularidade é que o Pará tem, também, uma população de búfalos na Ilha de Marajó, onde foram rastreados com “brincos” 1.064 búfalos.

Já a secretária de Estado da Agricultura  e Pecuária do Maranhão, Jucielly Oliveira,  participou do 1º Encontro de Rastreabilidade Bovina com o objetivo de colher informações e experiência visando o rastreio de animais no seu estado. “Após o reconhecimento do Brasil como Zona Livre de Aftosa sem Vacinação, a rastreabilidade virou a pauta principal. Porque isto é abertura de mercado, é oportunidade de comércio exterior e a gente, também, acaba cumprindo as demais exigências sanitárias, além de ser mais uma segurança para o consumidor, já que é uma identificação individual desses bovinos”, afirmou.

Outro participante do 1º Encontro de Rastreabilidade Bovina foi o diretor-presidente da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná e presidente do Fórum das Entidades de Sanidade Agropecuária, Otamir Martins. “Hoje o mundo não compra nada se não tiver rastreabilidade individual. Então, é de suma importância para o produtor e o serviço veterinário oficial. A gente tem que juntar essas duas partes para que possam trabalhar de forma conjunta para que a rastreabilidade no Brasil aconteça”, afirmou. E complementou que a identificação individual dos rebanhos, no final das contas, é uma garantia a mais para o consumidor: “Através da rastreabilidade individual de um animal o consumidor poderá saber a origem desse animal”.

Confira também a conversa com o secretário do desenvolvimento da agropecuária e da pesca, Júnior Nóbrega:

https://www.instagram.com/reel/DdcbpFtBZdQ/?stkn=MWw3dml4Zmw5MmdyeA==

Com informações da SEDAP

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