2 em 1 e 6 X 1
Uma tarde de celebração do dia de finados, aqui é celebração, no México o dia dos mortos é uma das festas culturais mais incríveis no mundo. A nossa celebração é entre o sentido religioso, fraterno, saudosista e melancólico. Enquanto isso, os vivos, na porta do supermercado, onde os trabalhadores ainda não conhecem o fim da escala 6×1, movimentam o pleno feriado dos mortos.
Na porta do supermercado, uma pessoa em cadeiras de roda, na entrada estratégica do estabelecimento, pedindo uma ajuda, o que aqui chamamos popularmente de “esmola”, e o cidadão normalmente chamado de “pedinte”. O homem de meia idade, em situação vulnerável…continua sua sobrevivência…entre um cordial boa tarde e um pedido, outro homem, sai do supermercado, deixa as compras no carro – estacionamento – e volta para dar uma ajuda ao “pedinte”. Ele agradece e logo é abençoado pelo doador com um “Deus te proteja”, o pedinte responde: “Amém, obrigado”.
Eu chego em seguida do gesto fraterno. Esse homem doador, é Arnaldo. Pode ser um nome simples, mas ele é o “Doutor” da minha Nação Torre – bairro popular e tradicional da capital paraibana. A Farmácia do Arnaldo é um marco para a Cidade de João Pessoa, uma História de tradição e cuidado desde 1982, mas na nossa memória, parece uma coisa secular, algo da pura memória afetiva e dos cuidados.
No encontro do dia dos mortos com Arnaldo da Farmácia, ele perguntou por minha Mãe Dona Arlinda Valentim, que faleceu e era paciente do “Doutor”. Eu disse que ela estava no céu, ele não lembrava da partida de mainha, e tal quanto abençoou o “pedinte”, também me abençoou: “Deus te abençoe e te guie”. O “Doutor” parte. Logo o “pedinte” me aborda ainda na porta do supermercado, e pergunta: “Ele é padre?” eu respondo imediato: “…é Arnaldo da Farmácia”. O homem se sentiu mais abençoado que se fosse um padre, e mais feliz que um paciente curado.
Todos sabem suas importâncias!
Luiz Henrique Parahyba




